Brasil

Taxas de cartão têm redução tímida em 6 anos

22/08/2014

Em junho, valor médio cobrado dos lojistas pelas credenciadoras ficou em 2,72% por transação

A taxa de desconto cobrada pelas credenciadoras dos lojistas nas operações de crédito e débito teve uma redução tímida nos últimos seis anos, embora os cartões estejam se tornando um meio de pagamento cada vez mais comum no varejo nacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a taxa média cobrada nas operações com cartão de crédito passou de 2,98% por transação, em 2008, para 2,72% neste ano. Já o desconto médio das operações de débito caiu de 1,60% para 1,53% no mesmo período.

Dados da Abecs, entretanto, mostram também que somente entre 2011 e 2014 o número de terminais de ponto de venda (POS) - as maquininhas usadas pelos lojistas para realizar as transações com cartão - saltou de três milhões de aparelhos, há três anos, para quatro milhões neste ano, um crescimento de 33% no período. Já o valor médio mensal transacionado mensalmente em cada POS avançou de R$ 15,4 mil, em 2011, para R$ 18,7 mil, em 2014 - aumento de 21,4%.

Segundo o professor de Varejo do Centro Universitário Newton Paiva, Leandro Silva, a redução da taxa de desconto das operações com cartões não teve impacto na receita dos comerciantes. Para ele, diante do aumento de terminais, a queda nas taxas deveria ter sido mais expressiva. "Os lojistas estão tendo uma despesa muito grande para manter esses aparelhos e, o que deveria servir para facilitar as transações, está dificultando. No caso de micro e pequenas empresas, essa taxa de desconto teve inclusive uma retração", afirmou.

O especialista lembrou que além dessa cobrança, as adquirentes (credenciadoras) também cobram pelo aluguel dos terminais - valor entre R$ 49 e R$ 79 para os aparelhos fixos, e entre R$ 89 e R$ 129 para os terminais móveis - e muitos varejistas pagam pela antecipação de recebíveis, cujos juros variam entre 1% e 4,6%.

"Eu sempre questiono se o crescimento dessa modalidade de pagamento não está mais relacionado com o aumento do calote com cheque sem fundo, e com o fato de as pessoas não estarem mais andando com dinheiro."

O balanço da Abecs aponta que os cartões dominaram as compras a prazo feitas no mercado de consumo (bens e serviços) em 2014, se tornando responsável por metade das transações com crédito feitas no setor, ficando na frente do consignado e do financiamento de veículos.

Na comparação com os cheques pré-datados, os cartões também vêm ganhando cada vez mais espaço: em 2008 foram 2,04 bilhões de transações com cartões contra 702 milhões com cheques, enquanto neste ano foram 4,84 bilhões com cartões e 378 milhões com cheques.

Tendência

Até junho de 2010, existiam contratos de exclusividade entre as credenciadoras e as bandeiras de cartões. Dessa forma, a credenciadora Cielo, por exemplo, aceitava somente a bandeira Visa e a Redecard trabalhava somente com MasterCard. A partir de julho, a exclusividade foi extinta. Com isso, vários setores, como os bancos e os próprios varejistas, passaram a investir no mercado de adquirência e cartões.

O diretor-presidente da Abecs, Marcelo Noronha, avaliou que, diante do cenário, a tendência é que as taxas de desconto continuem em queda e que, já neste ano, "todas as bandeiras minimamente relevantes sejam aceitas por todos os POS". "O que a Abecs tem feito é conversar com os atores envolvidos, estimulando o diálogo entre credenciadoras e bandeiras", disse.

Noronha também ressaltou que a Abecs é contra a diferenciação de preços de bens e serviços entre pagamento com cartão e com dinheiro - o Senado aprovou um projeto que permite a cobrança de valores diferentes de acordo com a forma de pagamento e o prazo.

Autor: Pedro Garcia

Fonte: DCI