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Vitória de Macri pode facilitar acordo entre negócios nacionais e argentinos

17/11/2015

Para políticos e empresários argentinos ouvidos por Afif, a eleição do candidato de oposição traria ambiente favorável para o fechamento de negócio com empresas de menor porte

À frente do Sebrae nacional, Guilherme Afif Domingos espera o fim das eleições na Argentina para costurar um acordo de livre comércio entre as micro e pequenas empresas dos dois países.
Em viagem ao vizinho sul-americano, Afif ouviu empresários e políticos argentinos recomendarem que ele aguarde o fim das eleições para avançar no acordo, já que o trâmite encontraria menos resistência com a vitória de Mauricio Macri, candidato da oposição. Ele fez as declarações no primeiro dia da Semana Global de Empreendedorismo, realizado ontem em São Paulo
De acordo com as últimas pesquisas, o governista Daniel Scioli está entre quatro e onze pontos percentuais atrás de Macri. A votação em que será escolhido o novo presidente da Argentina vai acontecer no próximo domingo, dia 22.
Em outro evento, Armando Monteiro, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), falou sobre as eleições e a troca de ofertas entre Mercosul e União Europeia (UE): "qualquer que seja a definição do processo eleitoral na Argentina não trará prejuízo ao processo de negociação com a União Europeia. Pelo contrario, eu acho que a posição de ambos os candidatos é claramente favorável ao acordo."
O presidente da Eurocâmaras, Miguel Setas, também não mostrou preferência: "eu creio que esta negociação vai muito da vontade do Brasil, que tem todas as condições para fazer uma negociação que conduza à assinatura de um acordo. Acho que as condições políticas na Argentina podem de alguma forma facilitar esse processo, mas eu creio que o Brasil tem nas suas mãos as condições para firmar esse acordo".
Os argentinos, parceiros do Brasil no Mercosul, aparecem na terceira colocação entre os maiores compradores de produtos brasileiros e na quarta posição entre aqueles que mais exportam para o País. Até outubro deste ano, o Brasil vendeu US$ 10,9 bilhões em produtos para a Argentina e importou US$ 8,8 bilhões em mercadorias de seu vizinho.
Acordo com UE
Vera Thorstensen, pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentou estudo que mostra a possibilidade de o Brasil adicionar 1,3 ponto percentual ao PIB, considerando o período de 2016 a 2030, se forem fechados acordos de livre comércio com a União Europeia e os Estados Unidos.
"Não adianta colocar a culpa na Argentina, o Brasil não fez acordo com a Europa até agora porque não quis", afirmou a especialista. Ela disse também que o não fechamento do tratado não foi causado apenas pelo governo, já que "os empresários brasileiros não querem mexer nas tarifas e as empresas europeias que estão instaladas aqui estão gostando muito da proteção que tiveram até agora".
A troca de ofertas entre o Mercosul e os europeus deve acontecer ainda durante este ano e, segundo Monteiro, o acordo estará em vigência "seguramente em 2017".
O ministro ponderou, entretanto, que existem divergências a serem resolvidas. "Ainda não conhecemos os termos da oferta agrícola europeia, que é de grande interesse para o Mercosul, mas temos expectativa que tenha maior alcance que a oferta anterior, condição que é essencial para que possamos avançar nas negociações", disse.
Ainda que sem a assinatura do tratado, a União Europeia aparece como um dos principais parceiros comerciais do Brasil. "O investimento estrangeiro direto que chega ao Brasil da União Europeia é superior ao investimento estrangeiro direto da União Europeia na China, na Índia e na Rússia combinados", destacou João Cravinho, embaixador do bloco europeu em território brasileiro.
TPP e TTIP
Em evento promovido pela Eurocâmaras, sobre a possibilidade do fechamento de um acordo entre os blocos europeu e sul-americano, muitos dos presentes mostraram preocupação com outros tratados.
"Se o TTIP nascer, o efeito no Brasil será mortal", disse Thorstensen. A especialista também ressaltou as perdas que podem ser trazidas pelo TPP e concluiu: "o Brasil está fora dos acordos comerciais por conta de uma ideologia; uma ideologia que eu entendo e que eu respeito, mas que acabou. O Brasil não pode mais ficar isolado".
A Parceria Transpacífico (TPP), assinado pelos Estados Unidos e por outros 11 países banhados pelo oceano, não tem a participação de membros da União Europeia e do Mercosul. Já a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP), deverá contar com a presença da União Europeia e dos EUA.
Setas afirmou que "estamos vendo a assinatura do TPP e uma provável assinatura do acordo TTIP. Tudo isso indica um contexto oportuno para o Brasil também buscar parcerias com outras zonas econômicas do globo".
Neste contexto, Monteiro, ressaltou a importância da assinatura do tratado entre Mercosul e União Europeia. "Não podemos perder a oportunidade de avançar nessa agenda". Nesse sentido, é crucial que as empresas brasileiras e as europeias e as câmaras de comércio possam também se engajar nesse processo", defendeu.

Fonte: DCI