Mundo

Europeus fortalecem exportações brasileiras

02/10/2015

O volume dos produtos exportados para a União Europeia e o valor destes em reais cresceram durante este ano. Balança comercial com todo o mundo subiu de novo e chegou a US$ 10,2 bi

A União Europeia ganha importância entre os compradores de produtos feitos no Brasil. O aumento dos negócios acontece graças à retomada econômica de países importantes do continente e ao câmbio favorável.
O volume de produtos vendidos para a União Europeia (UE) subiu de 61,1 bilhões de quilos para 64,5 bilhões de quilos na comparação entre os oito primeiros meses de 2014 e igual período deste ano. Em uma primeira vista, a receita proveniente dessas vendas caiu, de US$ 23 bilhões para US$ 19,6 bilhões. Mas o panorama muda quando o câmbio entra na conta. No dia 30 de setembro do ano passado, um dólar custava R$ 2,45. Hoje, vale cerca de R$ 4.
Fernando Salazar Palma, conselheiro comercial chefe da Embaixada espanhola no Brasil, afirmou: "enquanto os parceiros tradicionais do Brasil, como China, Venezuela e Argentina, não passam por seus melhores momentos, a Europa está melhorando cada vez mais e se trata de um mercado em que os brasileiros têm que estar mais presentes". Ele ressaltou que a Espanha deve crescer cerca de 3% em 2015 e que as compras feitas pelo país renderam 14% a mais para o Brasil neste ano.
A opinião é compartilhada por Rogério Fabrício Glass, coordenador no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). "A União Europeia está retomando o crescimento. A Alemanha, a Espanha e a Inglaterra, por exemplo, estão mais fortes. Se trata de um mercado importantíssimo para nós, especialmente na fase atual da economia, que pede uma maior abertura para as vendas".
Além de destacar o impacto positivo do câmbio elevado para as exportações, o presidente da Alpargatas S.A, Marcio Utsch, também falou sobre a importância das negociações com o exterior durante a recessão econômica no Brasil: "a expansão para fora do País traz alívio em um período difícil". Hoje, a Alpargatas vai além das exportações e conta com escritórios em várias partes do mundo, inclusive em dez países europeus.
A ampliação dos negócios com a UE pode também favorecer a diversificação das vendas brasileiras. "A gente procura sempre agregar mais valor às exportações e a União Europeia pode comprar maior quantidade de manufaturados [produtos de maior valor agregado] do Brasil", diz Glass.
Os três entrevistados participaram, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), de evento que teve as exportações brasileiras como assunto principal.
Balança comercial
O saldo entre as exportações e as importações feitas pelo Brasil com todo o mundo até setembro gerou superávit de US$ 10,2 bilhões, segundo o MDIC.
No mês terminado ontem, as exportações ficaram em US$ 16,1 bilhões e as importações fecharam em US$ 13,2 bilhões. Assim, o saldo positivo ficou em US$ 2,9 bilhões.
"Sem dúvida, é um resultado positivo, muito importante para a economia do País", disse Luis Celso Sena, especialista em gestão do Comercio Exterior da Thomson Reuters no Brasil. "Hoje, exportar não é mais uma opção. As vendas para fora devem fazer parte da estratégia das empresas, que não podem depender sempre do mercado interno", concluiu.
Sobre o aumento do volume exportado e a redução do valor das exportações, Sena explicou: "o mundo está cada vez mais competitivo, e os preços de grande parte dos produtos estão diminuindo para atrair ou manter compradores. Por isso que vendemos em maior quantidade e temos uma receita um pouco menor".
Segundo o ministro do MDIC, Armando Monteiro, o saldo comercial ficará em torno de US$ 15 bilhões em 2015. A previsão anterior apontava para superávit inferior, de US$ 12 bilhões. Ainda de acordo com Monteiro, a balança comercial de 2016 poderá chegar aos US$ 25 bilhões.
Para Sena, os resultados da balança comercial continuarão positivos se uma série de fatores, como "o câmbio, as políticas do governo brasileiro e a economia mundial" favorecerem o indicador.

Fonte: DCI