Mundo

Com dólar volátil, viajante deve mirar previsibilidade

29/09/2015

Para evitar surpresas, os especialistas recomendam comprar a moeda aos poucos, contabilizar o IOF e, sempre que possível, fugir do cartão de crédito

A volatilidade do dólar pode ter assustado quem está prestes a viajar para o exterior, mas não muda a recomendação dos especialistas sobre como lidar com o dólar. Para eles, o sobe e desce das cotações só reforça a opção pelo cartão de débito e o papel moeda para quem viaja.
As alternativas mais comuns para os gastos no exterior são o dinheiro em espécie e os cartões de crédito e de débito - na verdade, um pré-pago, também conhecido como Travel Money. O argumento dos especialistas é simples: o débito e o papel moeda oferecem mais previsibilidade do que o cartão de crédito, especialmente em um momento de grande incerteza sobre o patamar em que a relação entre o dólar e o real poderá se estabilizar.
No cartão de crédito, o valor das compras só é convertido para reais no fechamento da fatura. Ainda que na sexta-feira o dólar tenha recuado em relação ao real, não é possível afirmar se a tendência de alta, de mais de 20% entre julho e setembro, chegou ao fim. O que se sabe é que a volatilidade continuará elevada.
Para quem planeja viajar nas férias, a melhor opção é já ir comprando a moeda do destino ou ir abastecendo o pré-pago, para não ser tão afetado pela volatilidade. "Comprando quantidades menores semanalmente o viajante evita a oscilação da moeda e amortiza o gasto no momento da viagem", afirma o economista Luiz Alberto Machado, integrante do Conselho Federal de Economia (Cofecon).
Em casos específicos, ele aponta que levar a quantia total em dinheiro pode até ser mais vantajoso - com as devidas ressalvas por ser uma opção que exige mais cuidado com a segurança. "Na Argentina, por exemplo. Lá se consegue ótimos negócios pagando à vista, então aconselho a levar dinheiro vivo, mesmo considerando a variação do câmbio e até o risco de carregar o dinheiro". Ainda assim, ele frisa que, como regra geral, a mescla entre papel moeda e cartão de débito é a melhor opção para gastos no exterior.
O cartão de crédito, na visão de Machado, é a pior alternativa para quem viaja para o exterior neste momento de incerteza. O fato de a pessoa não saber ao certo quanto vai gastar após a viagem, já que a cotação será conhecida somente no dia da fatura, torna essa opção mais arriscada.
Imposto
Outro ponto a considerar é a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na compra de moeda estrangeira. A alíquota é de 0,38% do valor na compra de dinheiro em espécie. Nos cartões de débito e crédito, a alíquota é maior: 6,38%.
A diferença é que, no crédito, a cobrança do imposto se dá no pagamento da fatura. No cartão de débito internacional, que é um tipo de pré pago, a cobrança do IOF é realizada no momento em que o plástico é abastecido com algum valor.
A remessa de recursos, opção utilizada em geral por famílias que vivem em um país e desejam enviar dinheiro para um parente em outro, também pode ser usada para cobrir gastos em uma viagem.
Nesse caso, o IOF é de apenas 0,38%, mas as operadoras cobram taxas de serviço que variam entre 3% e 6% do montante enviado. A remessa, porém, é uma operação menos recomendada pelos especialistas. "Tem gente que depois não sabe como retirar [o dinheiro] ou não tem facilidade para trabalhar com o sistema bancário local", diz Machado.
A distribuidora de câmbio Cotação trabalha com dois tipos de remessas. Em um deles, o dinheiro é destinado a contas em instituições financeiras. No outro, a operação é realizada por meio de estabelecimentos conveniados à corretora, onde o destinatário retira a quantia em espécie.
Dupla conversão
O diretor da Cotação, Alexandre Fialho, ressalta ainda que é importante comprar a moeda do país local para não perder duas vezes na conversão.
"Há pessoas que levam dólar para a Europa e depois perdem novamente ao trocar para euro", diz. "Há também desatenção ao levar moeda errada para países do Leste Europeu ou a Inglaterra, por exemplo, que não utilizam o euro", lembra.

Fonte: DCI