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Brasil busca avançar em acordos com asiáticos para movimentar comércio

07/05/2015

O intercâmbio brasileiro com a China, Japão, Coreia do Sul e demais países da Ásia Oriental sofreu forte retração em 2014, e no início deste ano; contudo, País procura reverter situação

Apesar da queda do comércio brasileiro com países da Ásia Oriental, como China e Coreia do Sul, o País está buscando avançar em acordos que facilitem os investimentos e as transações com a região. No último dia 24, por exemplo, o Brasil firmou uma parceria de três anos com a Coreia do Sul para fomentar investimentos na área de tecnologia da informação (TI). O acordo prevê aporte de US$ 1 milhão do país asiático em atividades bilaterais, como políticas de TI e tecnologia 5G para telefonia móvel.

Além disso, foram assinados memorandos de facilitação de comércio, como incentivo ao uso de guichês únicos de comércio exterior e promoção do comércio sem papel. Os governos dos dois países também vão estudar medidas para estimular investimentos mútuos entre as pequenas e médias empresas.
Para o professor de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), José Luiz Pimenta, esses acordos podem movimentar o comércio brasileiro não só com a Coreia do Sul, como com os demais países da Ásia Oriental - como a China, Taiwan, Japão, entre outros - já que visam reduzir a burocracia exigida nas transações comerciais.
Facilitação
O professor de comércio internacional da Universidade Anhembi Morumbi, José Meireles, também considera positivo os tratados firmados com a Coreia do Sul, principalmente em um momento de queda do comércio brasileiro com o continente asiático. "Qualquer tratado que visa facilitar o intercâmbio comercial se repercute no desenvolvimento das empresas. Dessa forma, elas tendem a ficar mais preparadas para acessar o mercado asiático", afirma Meireles.
No entanto, o professor da Anhembi Morumbi diz que é preciso profissionalizar a presença das agências brasileiras de investimento e de comércio no continente asiático. "Os escritórios de países asiáticos no Brasil são muito ativos e bem preparados no atendimento às empresas. Contudo, as associações brasileiras, muitas vezes, não estão capacitadas para fornecer informações certeiras para os empresários. É preciso profissionalizar esses escritórios", comenta o professor da Anhembi.
Pragmatismo
Na análise de Pimenta, o Brasil tende a firmar mais parcerias comerciais e de investimentos não só com a Ásia, como com os seus principais parceiros. "O Brasil está com uma postura mais pragmática no comércio internacional e vem trabalhando com acordos que pode assinar sozinho, sem o Mercosul, como é o caso dos tratados de cooperação e facilitação de investimentos que foram firmados com países da África, assim como os de convergência regulatória com os Estados Unidos, no início do ano", diz Pimenta. "A tendência, para os próximos anos, é que o Brasil busque acordos que sejam viáveis, seja de facilitação de investimentos ou de redução de burocracia comercial."

Fonte : DCI