Mundo

Setor público peruano busca mais aportes brasileiros em infraestrutura

19/03/2015

Durante evento na Fiesp, empresários brasileiros também destacaram que o País é atrativo para as nações vizinhas, neste momento, devido à recente desvalorização do real frente ao dólar

O empresariado e governo peruanos estão buscando atrair mais investimentos em infraestrutura ao país, devido ao grande déficit ainda existente neste setor. E para, isso, pretendem aumentar o volume de negócios com o Brasil.
Durante evento na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o setor privado brasileiro destacou que o País é atrativo para os peruanos neste momento, devido à recente desvalorização do real frente ao dólar, o que torna nossa economia "mais barata", na avaliação deles.
Segundo autoridades peruanas presentes na ocasião, o país espera crescer, nos próximos anos, por meio da atração de investimentos privados voltados para grandes projetos de infraestrutura, na área de transportes e energias, além do fortalecimento da produção de minérios.
De acordo com o vice-ministro de economia do Ministério de Economia e Finanças, Giancarlo Gasha Tamashiro, a estimativa é que a economia peruana tenha expansão de 4% e 4,5% neste ano, e de 5,5% em 2016.
Para incentivar os investimentos, tanto estrangeiros como nacionais, o governo do país reduziu, no final do ano passado, o imposto de renda para as empresas de 30% para 26%. Já para os trabalhadores, o tributo foi de 15% para 8%. Tamashiro destacou que a diminuição tributária torna o ambiente mais favorável às pequenas e médias empresas, segmento que o Peru também deseja impulsionar. Além disso, o ministro ressalta que o Peru é um país aberto ao mercado, oferecendo segurança jurídica às empresas.
O diretor executivo da Proinversión, Carlos Herrera apresentou alguns projetos de infraestrutura que ainda estão em avaliação e que podem ser interessantes a grandes empresas do Brasil. Em um deles, está prevista a construção de um sistema de transporte rápido e massivo de cerca de 14 km em uma área metropolitana na cidade de Arequipa.Um outro é a reformulação dos arredores do Porto de Callao, que passa por problemas de tráfego.
Apesar da relação empresarial entre o Brasil e Peru ser recente, grandes empresas nacionais já atuam no nosso país vizinho como a Odebrecht, a Petrobrás, Gerdau, entre outras companhias.
O corresponsável da área de Investment Banking da BTG Pactual, José Vita, disse também que a conjuntura brasileira é bastante atraente para as empresas peruanas. "Em momentos de crise surgem boas oportunidades. É um bom momento para que as empresas peruanas façam aquisições no Brasil. Com a desvalorização do real, a economia brasileira começa a ficar atraente", considera o especialista.
Durante o evento, o presidente do Banco Central de Reserva do Peru, Julio Velarde, afirmou que a expectativa da instituição é que o país cresça entre 4% e 4,8% em 2015, e entre 5% e 5,6%, 2016.
No ano passado, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do Peru foi de 2,4%, crescimento menor do que o registrado em anos anteriores. Em 2013, por exemplo, o crescimento foi de 5,8%, em 2012, de 6%, e em 2011, em 6,5%.
Tamashiro afirmou que o PIB menor de 2014 se deve a uma série de choques de ofertas vividas pelo país, que afetaram o setor primário da economia local, como a agricultura e a pesca.
Velarde acrescentou que houve uma redução na confiança interna do país em 2014, mas que isso deve ser recuperado em 2015. "Houve uma retração dos investimentos de estados e municípios no ano passado e isso afetou o consumo", afirmou.
Outras economias em crescimento positivo na América do Sul são a Colômbia e o Chile. A expansão do PIB colombiano foi de 4,6% em 2014, conforme divulgado Departamento Administrativo Nacional de Estatísticas (Dane), ontem. Já a economia do Chile teve crescimento de 1,9% em 2014, de acordo com o Banco Central do país.
Ajuste Fiscal
Sobre o ajuste fiscal brasileiro, Velarde afirmou que ele é necessário, mas não opinou sobre como essas políticas devem ser feitas. "Como o ajuste fiscal deve ser feito é algo que os brasileiros devem decidir. Apenas um brasileiro, mais familiar com a realidade da economia, pode saber como guiar", afirma Velarde.
"Estão ocorrendo três momentos importantes no Brasil: ajuste fiscal, ajuste monetário e falta de apoio político [ao Governo Federal]. Também tem um quarto fator que seria um cenário mais volátil internacionalmente. Isso complica as coisas. Se esses problemas acontecem na Venezuela ou na Argentina, por exemplo, o efeito sobre a região [da América do Sul] é de um ou dois dias. No Brasil, é diferente. Se tiver uma crise mais séria, o que acredito que não vai acontecer, provavelmente afetará por mais tempo os mercados. Uma das nossas vantagens tem sido a aliança do Pacífico. O Peru por si só é muito pequeno. Se a crise for mais séria, deixaria os mercados nervosos", comenta.
O Peru posiciona-se como a 51ª economia do mundo, conforme últimos levantamentos. O setor de serviços é o principal ramo de atividade e responde por cerca de 56,3% do PIB do país, seguido do setor industrial com 37,5% e do setor agrícola com 6,2%.

Fonte: DCI